segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O apagão agora é de líderes


Depois do apagão da mão de obra, o Brasil enfrenta agora seu apagão de líderes. Consequência do crescimento econômico dos últimos anos, o cenário provoca outro movimento que mexe com as corporações: um alto índice de rotatividade entre executivos e gestores. Ou seja, as empresas se ressentem de profissionais qualificados a assumirem cargos de liderança, o que pode, inclusive, afetar seu crescimento.
Foi o que descobriu pesquisa feita pela Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Nacional), em parceria com a Empreenda e a SPHINX Brasil. Segundo o levantamento, para 63,6% dos consultados, as companhias não têm líderes suficientes para suprir suas necessidades nos próximos três anos.
- Há mais brasileiros entrando nas escolas, mas há menos brasileiros saindo delas. Isso, enquanto nossa economia cresce muito. Assim, é importante investir na qualificação e, especialmente, de líderes. O problema é estrutural e vem de base - diz Luiz Edmundo Rosa, diretor da ABRH.
Headhunter da Michael Page, Marcelo Cuellar atenta para o fato de que existe um motivo óbvio que justifica esse apagão:
- Um líder com experiência sólida demora de dez a 20 anos para se formar. O Brasil deu um salto entre os últimos três e cinco anos, então é normal que não tenha um gestor com dez anos de prática. Não deu tempo de qualificá-los.
Além do desenvolvimento acelerado em descompasso com a evolução da educação, há outros fatores que estariam provocando essa "dança das cadeiras" nos cargos mais altos da hierarquia corporativa. Segundo outra pesquisa, essa feita pela coach Waleska Farias, os principais motivos que levam a essa rotatividade acentuada são ambiente ruim no trabalho (para 28% dos consultados), liderança fraca ou falta de confiança no gestor (21%), rotina sem desafios (14%) e falta de qualidade de vida (13%).
- Um gestor que não se mostra capaz para os desafios, hoje, cerceia todas as possibilidades de crescimento de uma equipe - diz Waleska.
E embora estejam surgindo oportunidades de emprego e negócios em todo o país, o problema da falta de líderes preparados parece maior no Rio - palco não só de investimentos no setor de óleo e gás, mas também, em um futuro breve, de eventos gigantescos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas de 2016.
- E ainda há outras frentes de projetos, como a revitalização da indústria naval offshore, os investimentos na indústria de telefonia, nas áreas de energia elétrica e da cultura. É tanta coisa acontecendo no mesmo lugar, que não há mesmo profissionais preparados para assumirem posições de gerência e liderança - analisa Figueiredo.



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