domingo, 3 de agosto de 2014

Planejar é preciso

 Fonte: Planejar é preciso Revista ES Brasil 

Desde o século passado, a forma de conduzir organizações empresariais no mundo todo teve sua realidade transformada a partir de um novo conceito: planejamento estratégico. A cultura de planejar ações se estendeu para outros setores, e atingiu a administração pública, que de forma global começou a elaborar planos e metas, como forma de parametrizar o crescimento e o desenvolvimento de Estados e países.

No Espírito Santo não é diferente. As ações governamentais são focadas nas metas traçadas no Plano de Desenvolvimento do Estado, uma análise do cenário econômico feita em parceria entre governo do Estado, entidades representativas da sociedade civil organizada e instituições privadas, que permite avaliar o presente e propor ações futuras.

O estudo mais atualizado, publicado em dezembro de 2013, faz uma projeção das ações de desenvolvimento pelos próximos 16 anos. É o ES 2030, que aponta, como um dos pilares de desenvolvimento do Estado, o setor de energia. É aí que queremos chegar.

Em 2012, segundo dados da Agência de Serviços Públicos de Energia do Espírito Santo (Aspe), o consumo final de energia do estado ultrapassou os 7 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (tep). O consumo per capita ficou em 1,90 tep/hab (toneladas equivalentes de petróleo por habitante), acima da média nacional, de 1,27 tep/hab. Apesar de habitar menos de 2% da população brasileira, o Espírito Santo é, proporcionalmente, um dos maiores consumidores de energia do país, e este consumo vem crescendo em alguns setores, como é o caso dos consumidores residenciais.

O aumento do poder aquisitivo das famílias e a consequente melhoria da qualidade de vida é um fator de forte influência. Um exemplo é o consumo de eletrodomésticos. Dados da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) dão conta de que, só nos primeiros quatro meses de 2014, foram vendidos 5,7 milhões de televisores, 46% mais que o mesmo período do ano passado. A previsão do setor é fechar este ano com 16 milhões de televisores vendidos.

A questão é ter energia para atender a esta demanda. Tem que ter energia para suprir esta demanda. Imaginando que cada TV, gastando pouco, consuma 60 w, é só fazer as contas. Isso é apenas um exemplo, mas esta problemática ainda não está na cabeça das pessoas. É necessário pensar em planejamento energético para atender este crescimento. Não existe pensar em futuro sem pensar no suprimento de energia, afirmou o diretor geral da Aspe, Luiz Fernando Schettino.

Cenário atual

Atualmente, o Espírito Santo não dispõe de um planejamento próprio na área energética. O ES 2030 se aproxima deste propósito, ao sugerir ações de desenvolvimento do setor, como atrair e incentivar investimentos que aproveitem as oportunidades geradas na cadeia de energia, petróleo e gás e integrar esta cadeia ao sistema estadual de produção e difusão de ciência, tecnologia e inovação. Entretanto, esta integração requer um esforço amplo e contínuo de diversas frentes, uma vez que a cadeia energética, hoje, é administrada em âmbito federal.

O planejamento energético capixaba depende, atualmente, do trabalho realizado pela Empresa de Pesquisa Energética, ligada ao Ministério de Minas e Energia. Publicado em 2007, o Plano Nacional de Energia 2030, desenvolvido pelo órgão, é o instrumento utilizado para orientar os trabalhos de longo prazo, balizando as alternativas de suprimento da demanda de energia nas próximas décadas em todo o Brasil.

Porém, para o presidente do Conselho Temático de Energia (Conerg) da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Nélio Borges, o fato de esse plano ser realizado em âmbito federal o afasta da realidade do nosso Estado, e dificulta a articulação com o plano de desenvolvimento econômico Hoje, o plano de crescimento estadual se desenvolve sem dialogar com o planejamento de geração de energia, que é feito em nível nacional. Trabalhar dessa forma não é adequado, porque gera dificuldades. Não temos como acompanhar, por exemplo, a execução de obras e o cumprimento de prazos. Quando os dois planos caminham de forma independente, nós não temos como saber o que vai acontecer e isso aumenta nosso risco operacional, afirmou Borges.


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